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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Conflito em Gaza

Como anunciado anteriormente, estávamos esperando alguma reflexão "menos instantânea" sobre os acontecimentos na Faixa de Gaza para colocarmos no blog. Novamente o boletim Olhar Virtual da UFRJ é a fonte de informação e conhecimento. De qualquer forma estamos abertos a qualquer outra fonte de conhecimento sobre os acontecimentos em Gaza, inclusive a sua opinião pessoal.


...

Sábado, 27 de dezembro de 2008. Aviões israelenses conduzem uma série de ataques contra instalações do Hamas na Faixa de Gaza, matando e ferindo centenas de pessoas. Apenas oito dias após o fim da trégua de seis meses entre Israel e o grupo militante islâmico, no último 19 de dezembro, teve início mais um triste capítulo na história de uma guerra que perdura há décadas.

Para Franklin Trein, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, tanto a imprensa nacional quanto a estrangeira estão fazendo uma cobertura bastante precisa do conflito, dada a gravidade do assunto, embora o espaço conferido varie de acordo com o veículo de comunicação. No Brasil, segundo o professor, a mídia televisionada vem tratando a questão com mais destaque que a mídia escrita, que tem ficado um pouco aquém na apresentação de análises substantivas e consistentes.

Já nos Estados Unidos, a situação se inverte. Para Trein, enquanto as emissoras de televisão norte-americanas abordam o tema de maneira utópica, os principais jornais de grande circulação estão expondo análises que se diferenciam da forma como a sociedade do país costuma tratar este tipo de problema. “No entanto, percebe-se claramente que há certo compasso de espera a respeito da conjuntura que se criará depois da posse de Barack Obama. A transição de governo põe a mídia em sobreaviso, no aguardo de um pronunciamento do novo presidente sobre o conflito”, diz o professor. Perguntado sobre a situação na Faixa de Gaza, Obama afirmou que só falaria após a posse, que aconteceu ontem em Washington. “Acho que é uma atitude muito correta da parte dele, mas isto frustra um pouco as expectativas do que será o futuro próximo”, analisa Trein.

Na opinião do professor do IFCS, a mídia europeia é a que está fazendo a cobertura mais ampla do conflito, mostrando ao público elementos esclarecedores para o entendimento do processo que o desencadeia. “Isso acompanha, de certa forma, a mobilização da sociedade civil europeia em relação aos acontecimentos. Independente do fato de a Europa não ser um continente tradicionalmente islâmico, os europeus saem às ruas para protestar e manifestar sua inconformidade com os ataques desproporcionais de Israel contra o Hamas. A imprensa acaba repercutindo essas ações”, explica. Trein destaca que a mídia europeia está chamando a atenção para três aspectos fundamentais que ajudam a reavivar a memória acerca do quadro geral de relações que estão em jogo na Faixa de Gaza.

— O primeiro deles, sem dúvida, refere-se ao comportamento dos israelenses, que respeitaram a opinião pública mundial e as decisões das Nações Unidas apenas quando da criação do Estado de Israel. Depois disso, o país passou a atuar como senhor absoluto de seus interesses, detentor de direitos incontestáveis e legítimos para autorizar qualquer reação diante da mais elementar discordância sobre sua maneira de alcançar objetivos. Alheio aos custos humanos, sociais, políticos, econômicos e culturais que isto possa significar para outras populações, o Estado de Israel se sente no direito de impor suas vontades a qualquer preço — avalia.

O segundo aspecto levado em conta pela mídia europeia, de acordo com o docente, diz respeito ao fato de que Israel se desenvolveu, inclusive no âmbito militar, sob a proteção irrestrita dos EUA e do Reino Unido. Além disso, Trein ressalta a importância de a imprensa sublinhar que o território israelense configura-se como um enclave dentro de um ambiente geopolítico, “ao mesmo tempo, em conflito com o Ocidente e depositário de um manancial extraordinário de recursos energéticos não-renováveis indispensáveis para a rota do progresso capitalista”.

— Israel recebeu o apoio do mundo ocidental em troca de ser um ponto estratégico naquela região, onde os interesses do capital pelo petróleo são insubstituíveis. Todo o conhecimento científico e tecnológico desenvolvido até hoje não permite pensar na hipótese de se abrir mão do petróleo dos árabes. Para que os EUA e a Europa consigam se impor sem saírem de suas casernas, é necessário que haja alguém mais próximo dos árabes, e esse alguém é Israel — observa.

Segundo Trein, o último ponto alude à desproporcionalidade do crescimento demográfico das populações judia e árabe dentro do Estado de Israel. O professor acredita que, entre 25 e 50 anos, a quantidade de não-judeus no território israelense será consideravelmente superior ao número de judeus. “Certamente, isso poderá se tornar um problema bastante complexo para a gestão das relações de poder na região”.

Continua ...

Na íntegra em:

Até!

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O jornalista Luiz Weis comenta a eleição americana

Duas visões da vitória de Obama

Por Luiz Weis em 10/11/2008

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br

 

Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um tremendo sinal que nós mandamos.”

Se fosse mais uma das incontáveis cenas explícitas de adesismo que os políticos se permitem o tempo todo em toda parte (Mangabeira Unger e Eduardo Paes em relação a Lula, por exemplo, guardadas as devidas), o episódio não serviria de gancho para espetar nele um comentário – ou uma provocação – sobre o que parece a este blogueiro um dos aspectos mais interessantes da eleição americana de que a imprensa mundial se ocupou, com pencas de fatos e argumentos, mas, salvo engano, sem parar para discuti-los.

A deputada, a rigor, não aderiu a Obama. O que ela queria, segundo uma interpretação, era “não ficar no lado errado da história”. Isso deve ser verdade também para aqueles americanos que, a julgar por suas manifestações dos últimos dias, sonhavam desde criancinha com a eleição de um negro para a Casa Branca – e com os quais não se devem confundir os milhões de pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos, que torciam ardentemente por ele e acham que o mundo ficou melhor depois da maior das terças-feiras da história da América.

Mas não é nem disso que se trata exatamente. O ponto – que remete aos tais fatos e argumentos que inundaram a mídia, sem que ela os tivesse posto em debate – está no fecho da fala da senhora Bachmann.

Repetindo: “Foi um tremendo sinal que nós enviamos”.

Então lá vai: “Nós” quem, cara-pálida?

”Nós”, evidentemente, seriam os Estados Unidos da América – os seus valores de berço com os quais o país, sem distinções, se reencontrou elegendo Obama. Não foi ele próprio quem disse, no discurso de vitória, que a América “é o lugar onde tudo é possível”?

Ou, no título do editorial da edição do último domingo do Observer, de Londres: “A América restaurou a fé mundial nos seus ideais”.

Aceitar esses enunciados pelo seu valor de face implica, primeiro, passar batido pelo fato de que esses ideais – “democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”, Obama, no mesmo discurso – conviveram durante 76 anos (de 1787, quando foi promulgada a Consitutição de Filadélfia, a 1863, quando acabou a Guerra Civil) com a escravidão legal e, depois, durante mais de um século com a segregação racial, aberta ou disfarçada, em muitas partes da América.

É fato histórico que, entre abolir a escravidão e garantir a unidade das 13 colônias que viriam a formar os Estados Unidos, os “pais fundadores” escolheram a unidade.

É fato histórico ainda que eles adotaram um sistema político – o do voto majoritário, ou distrital, para a eleição do Congresso, combinado com a escolha em última análise indireta do presidente da República – concebido para barrar a ascensão ao poder das minorias, quaisquer que fossem. E adotaram um sistema eleitoral feito para desestimular os mais pobres a votar [“O voto americano visto do Brasil”, neste blog].

Mas é fato histórico também que, em matéria de liberdades individuais, a começar da mais essencial delas, a de expressão, nenhum país iguala os Estados Unidos.

A América, escreveu na semana passada o historiador e jornalista holandês Ian Buruma, “representa o que o combalido mundo ocidental tem de melhor e de pior”. Pura verdade. Mas, de repente, é como se o pior se tivesse evaporado.

Em segundo lugar e mais prosaicamente, aceitar o enunciado de que “a América” elegeu Obama faria sentido se ele devesse a sua vitória a uma maioria homogênea, ou quase isso, de eleitores. Não foi assim: quem deu a Obama 65,4 milhões de votos (ante 57,4 milhões para McCain) foi uma determinada América – a coalisão de negros, jovens, mulheres e hispânicos das grandes cidades.

As pesquisas de boca-de-urna (depois da votação) revelaram que votaram em Obama 95% dos negros, 70% dos moradores das metrópoles, 66% dos jovens de 18 a 29 anos – o grande exército mobilizador de recursos e eleitores, via internet –, 66% também dos hispânicos e 56% das mulheres.

A propósito, dos eleitores de primeira viagem, 7 em 10 votaram em Obama.

Se dependesse apenas do voto masculino, não se sabe no que daria a eleição. Foram 49% para Obama, 48% para McCain. Se dependesse apenas do voto branco, daria McCain por 55% a 43%. Embora, proporcionalmente, mais homens brancos votaram em Obama do que em qualquer outro candidato democrata desde Jimmy Carter (1976), Bill Clinton incluído.

Além disso, Obama ganhou no Nordeste, no Meio-Oeste e no Oeste. Perdeu no Sul (Arkansas, Oklahoma, Louisiana, Tennessee, Missisippi, Alabama, Georgia e Carolina do Sul), ainda que tivesse obtido uma vitória histórica – com perdão pelo adjetivo – na Carolina do Norte.

A coalisão pró-Obama foi também uma coalisão de motivações – o que a ênfase no “voto da América” que percorre a mídia torna mais difícil discernir.

Os negros votaram em Obama, antes de tudo, porque era o primeiro deles escolhido candidato por um dos dois grandes partidos nacionais, portanto o primeiro a ter chances reais de chegar lá.

O mestiço Obama, no Brasil, seria mulato. Nos Estados Unidos de duas cores, negro. E, como tal, os negros o encamparam. Perguntado, depois da vitória, se preferia se referir a Obama como meio-branco e meio-negro, ou simplesmente negro, um barman de Washington respondeu: “Negro. Porque significa mais.”

Não menos revelador – e neste caso também por relativizar a teoria de que “a América” elegeu Obama – foi um comentário recolhido pelo correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, em Birmingham, Alabama.

“Sempre houve, no fundo, a sensação de que os negros não podiam ser parte do povo americano, e muito menos do sonho americano”, disse-lhe Jacqueline Wood, diretora-assistente do Programa de Estudos Afro-Americanos da Universidade do Alabama. “Nós estávamos sentados na cozinha. Agora passamos para a sala de visitas.”

Os jovens votaram em Obama principalmente por se identificar com o mais inspirador (“Yes, we can”) dos políticos americanos desde John Kennedy e decerto o mais singular deles: pelas origens, trajetória, personalidade, estampa – e coolness.

Também junto às mulheres funcionaram as suas “armas de atração em massa”. Com uma particularidade que, de novo salvo engano, só foi destacada na imprensa graças a um artigo no New York Times da sexta-feira, 7, pelo sociólogo jamaicano Orlando Patterson, da Universidade Harvard.

”Essa campanha, de maneira notável, foi uma reencenação da inteira e entrelaçada luta de negros e mulheres pela inclusão política”, observou. “A primeira vez que rejeitaram o seu confinamento ao papel de virtuosa maternidade na esfera privada no início da República foi ao liderar o combate muito público pela abolição da escravatura.”

As conquistas negras sempre pressagiaram os avanços femininos, lembra Patterson, “embora não sempre pelos motivos mais nobres”. Ou seja, o movimento pela emancipação das mulheres se nutria da seguinte rationale: afinal, se os negros podem votar, podem encontrar na lei proteção contra a discriminação e disputar cargos eletivos, por que não nós, mulheres?

A partir dos anos 1980, pela primeira vez desde que conquistaram ao voto, as mulheres passaram a votar proporcionalmente mais do que os homens e mais candidatos progressistas.

”Em termos demográficos crus, o mais importante fator da vitória de Obama foi a margem de 13 pontos a seu favor no eleitorado feminino”, assinala o sociólogo.

De fato, a vantagem de Obama foi relativamente maior entre os mais jovens. Mas estes são apenas 18% do eleitorado. Vale para os hispânicos: como os jovens, 2 em cada 3 deles votaram em Obama, mas representam somente 8% do eleitorado. Já as mulheres (56% pró-Obama) pesaram mais porque são 53% do eleitorado.

E os trabalhadores brancos, aqueles a quem, nas prévias do Partido Democrata, e no seu pior momento, Hillary Clinton pediu o voto com uma mensagem que se curvava ao seu preconceito (”Hard-working Americans; White hard-working Americans…”)? O que levou sabe-se lá quantos deles a votar em Obama?

A resposta, numa palavra, parece ter sido a crise. Como se tivessem posto num dos pratos da balança o medo de ter um presidente negro, no outro o medo de ter um presidente branco incapaz de salvá-los do naufrágio econômico.

O New York Times ouviu um deles, no subúrbio de Levittown, Pensilvânia (Estado em que McCain investiu pesadamente, em vão, na reta final da campanha). O técnico em ar-condicionado Joe Sinitski disse ao repórter Michael Sokolove:

”Durante muito tempo eu não podia ignorar o fato de que Obama é negro, se é que me entende. Não me orgulho disso, mas fui criado a pensar que não há negros bons. Eu podia ver que ele é muito inteligente, e isso conta para mim, mas meu instinto ainda era o de fechar com o branco. Mas, quando ele escolheu [a governadora do Alasca] Sandra Palin para vice, com todos os problemas que a gente tem, isso não mostrou inteligência da parte de McCain. Não dizia coisa boa dele em geral.”

O interesse próprio prevaleceu sobre o racismo, em suma.

O que vai acontecer com o racismo americano não se pode prever. O lugar-comum que se encontra numa página dos jornais e na outra também é que o próprio triunfo de Obama – e a sua repercussão mundial sem paralelo – funciona por si só como um breve contra o preconceito.

Tomara. Afinal, o homem tem uma capacidade única de fazer com que as pessoas ponham para fora o que têm de melhor. A euforia dos europeus, por exemplo, é o reverso da medalha da hostilidade européia aos imigrantes, principalmente de pele escura.

Mas, nos Estados Unidos, há apenas quatro meses uma pesquisa nacional mostrou que apenas 30% dos eleitores brancos diziam ter uma opinião favorável de Obama. E mais: cerca de 60% dos entrevistados negros – e não mais de 34% dos brancos – achavam que as relações raciais no país são em geral ruins.

A pesquisa revelou que muitos padrões raciais na sociedade americana permanecem intocados nos anos recentes. Muito pouco mudou no componente racial da vida cotidiana no país desde 2000, quando o New York Times publicou uma série de reportagens intitulada “Como a raça é vivida na América”.

Exemplo: mais de 40% por cento dos negros americanos acham que foram parados pela polícia por causa da cor de sua pele, a mesmo índice de respostas da pesquisa de oito anos atrás.

”Devagar com o andor pós-racial”, escreveu na Folha o correspondente Sérgio Dávila. “Os Estados Unidos mudaram, os novos eleitores e os eleitores novos ajudaram a eleger Barack Obama – mas foi preciso uma crise econômica sem precedentes e o equivalente ao gênio negro na política concorrendo para que isso acontecesse.”

Toda eleição, obviamente, tem a sua circunstância. A desta, nos Estados Unidos, se chamou George W. Bush, atolando os americanos em duas guerras, nos maiores índices de pobreza e desigualdade desde os impropriamente chamados Anos Dourados (a década de 1920), e, enfim, no colapso financeiro e na recessão.

Foi o que decidiu a parada em favor de Obama. Antes do derretimento de Wall Street, não custa lembrar, ele e McCain estavam cabeça a cabeça nas pesquisas.

Então, uma coisa é dizer que Obama encarna o que a América tem de melhor ou que a América ficou melhor com a sua vitória. Outra coisa é dizer que o resultado eleitoral comprova a excepcionalidade dos Estados Unidos, o poderio incomparável de seus valores.

A imprensa ficou devendo um debate sobre essas duas visões – um debate, em suma, sobre a democracia na América.

 

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Agora cabe a pergunta: O que há de tão importante na eleição norte-americana para nós brasileiros?

Uma pergunta que reside na ampla cobertura das eleições (incluindo as prévias) norte-americanas, na grande repercussão da eleição de Obama e sua representação quase heróica.

O artigo de Luiz Weis prima pela sua observação crítica das eleição. Ele revela através dos dados eleitorais os meandros não-comentados pela imprensa.  Mas a pergunta continua...

E você o que acha?

Até!

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eleições 2008 - Candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro

No dia 5 de outubro teremos eleições para prefeito e vereadores. Vcs já sabem em quem votar?
Para facilitar a vida de todos, o Minerva Mutante, está divulgando os sites com os programas e propostas de governo dos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro. Cada site possui também a prestação de contas do respectivo candidato. A maioria dos programas está em versão resumida, exceto o do candidato Crivella (PRB) que só encontrei na versão completa.
Algumas notas são interessantes:
* Impressionante como os candidatos já aderiram aos meios modernos de comunicação: youtube, orkut, podcast, ringtone etc.
**Depois de uma busca no google o site dos candidatos Filipe Pereira do PSC, Antônio Carlos Silva do PCO e do candidato Eduardo Serra do PCB não foram encontrados.
***No site do candidato Vinícius Cordeiro do PTdoB não foi encontrado o programa de governo. ****Nos sites dos partidos há uma grande quantidade de informação sobre o direcionamento político, ideológico, filosófico etc., inclusive com alguma informação sobre os candidatos. *****Como dica: o site: http://www.sidneyrezende.com/editoria/eleicoes2008 possui um resumo da história de cada candidato. Vale a pena dar uma olhada, principalmente para quem ficou com preguiça de ler cada uma das propostas abaixo.
Seguem os links:
Outros links úteis:
1- Ficha dos parlamentares do Brasil:

http://www.transparencia.org.br/index.html

2- Declaração de bens, escolaridade e ocupação dos candidatos a prefeito e vereador:

http://www3.tse.gov.br/sadEleicaoDivulgaCand2008/comuns/layout/framesetPrincipal.jsp?siglaUFSelecionada=RJ

ou

http://www.tre-rj.gov.br/ - clicar em "eleições 2008" e "divulgação de candidatura (lista de prefeitos e vereadores)"
Com a ajuda de Victor Barone.
Até, Ruler!

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Jornal Extra não circula na baixada

RIO - O presidente em exercício do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Alberto Motta Moraes, repudiou em nota oficial o fato de o jornal Extra com a manchete ' Deputados em campanha mentem para ganhar salário de R$ 13 mil ' não ter chegado à maioria das bancas da Baixada Fluminense neste domingo ( clique aqui e entenda o caso ).
"O TRE repudia com veemência essa ação, que nos parece claramente um golpe de natureza eleitoral. A compra de grande quantidade de exemplares numa mesma região tem todos os indícios de uma tentativa de impedir que informações chegassem a uma parcela do eleitorado. Igualmente graves são as denúncias de que jornaleiros foram coagidos a vender todo o estoque, o que só fortalece a hipótese de se negar à população informações que lhe ajudasse a decidir o voto de forma livre e consciente."
Neste domingo mesmo, através de seu departamento jurídico, a Infoglobo, empresa que edita o jornal Extra, recorreu ao TRE. Além de registrar o fato, fez uma petição ao juiz de plantão, Luiz Melo Serra, para que requisitasse uma força policial visando garantir o trabalho de distribuição e de circulação do jornal na Baixada Fluminense.
Associações de jornais e jornalistas acharam a manobra uma afronta à liberdade de informação.
- É preciso que haja um repúdio rigoroso da sociedade contra esse ato, inclusive do parte do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani - disse Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Homens armados tentam impedir circulação
A segunda edição de domingo do Extra, com a manchete ' Deputados em campanha mentem para garantir salário de R$ 13 mil ', não chegou à maioria das bancas da Baixada Fluminense. Um grupo de homens, entre eles alguns armados, comprou cerca de 30 mil exemplares antecipadamente no centro de distribuição de Belford Roxo, impedindo que os jornais chegassem aos leitores. O mesmo grupo ainda percorreu bancas de São João de Meriti e de municípios vizinhos para checar se havia algum exemplar disponível.
Alguns jornaleiros que se negaram a vender o Extra acabaram cedendo depois de sofrerem ameaças. Com medo de represálias, nenhum deles registrou queixa na polícia.
Por volta das 2h de domingo, homens ocupando um Vectra e um caminhão, estiveram na sede do jornal, na Rua Marquês Pombal, com o mesmo objetivo: comprar antecipadamente exemplares do EXTRA. O chefe do grupo, que se identificou como coronel do Corpo de Bombeiros, disse que o objetivo era adquirir 10 mil exemplares, mas acabaram levando apenas 850, comprados com distribuidores na porta da sede do jornal.
Levantamento parcial da venda de jornais de domingo, feito pela Inflglobo, empresa que edita o Extra, indica que o problema se concentrou em São João do Meriti.
A reportagem relacionada à manchete denunciou que os candidatos Marcelo Simão (PHS), Rodrigo Neves (PT) e Alessandro Calazans (PMN), todos deputados, faltaram a sessões da Alerj e inventaram compromissos para ter as faltas abonadas e garantir o salário integral de R$ 13 mil. Marcelo Simão é candidato a prefeito em São João de Meriti; Rodrigo Neves, em Niterói; e Alessandro Calazans, em Nilópolis.

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sábado, 12 de abril de 2008

Jogos Olímpicos, Esporte, Política e Novas Formas de Protestos: sobre os jogos olímpicos do Tibete/2008.

Por Victor Andrade de Melo - UFRJ

De 4 em 4 anos (às vezes de 2 em 2, quando há Jogos Pan-Americanos na cidade ou devido às Copas do Mundo de Futebol), voltamos a ouvir a mesma história. Supostamente o mundo deveria parar seus conflitos para que, durante os 15 dias de um festival esportivo, celebrasse a fraternidade e a solidariedade entre os povos (sejamos justos que pouco se fala em liberdade nessas ocasiões).

Tirando aqueles que ainda crêem em figuras fantásticas (como o Papai Noel, a Fada do Dente, o Coelho da Páscoa ou mesmo a terrível Loira do Banheiro, que tanto assombra as crianças em idade escolar), sabemos que esse discurso está fundamentalmente atrelado a uma enorme estratégia para potencializar a venda e o consumo de produtos relacionados a uma das mais impressionantes e fascinantes manifestações culturais da modernidade (o esporte), naquele que é um de seus principais palcos (os grandes eventos internacionais, como é o caso dos Jogos Olímpicos). Há muitas coisas envolvidas nessa somente aparente ingênua competição esportiva mundial.

Política e esporte sempre andaram juntos, como não poderia deixar de ser, já que se trata de uma prática social como outra qualquer. Isso não é de hoje. Poucos não foram, por exemplo, os regimes totalitários que à prática esportiva se ligaram como forma estratégica de se acercar da população, de demonstrar o seu poder, de propagar determinados valores, cujo exemplo mais conhecido são os Jogos Olímpicos de Berlim/1936, também chamados de Jogos de Hitler ou Jogos do Nazismo.

Também ao redor do esporte se organizaram iniciativas de resistência. Os bascos e catalães encararam os espaços esportivos como fóruns possíveis de reunião no período de Franco. As mulheres iranianas hoje lutam pelo direito de assistir os jogos de futebol nos Estádios. Nos Jogos Olímpicos do México (1968), Tommie Smith e John Carlos, medalhistas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, no pódio levantaram seus braços, de punhos cerrados e com as mãos cobertas por luvas negras, reproduzindo a saudação dos Panteras Negras. Por tal atitude, suas medalhas foram caçadas e ambos expulsos da delegação norte-americana.

Há ainda os episódios violentos. Nos Jogos Olímpicos de 1972 (Munique), atletas israelenses foram mortos depois de tomados como reféns pelo grupo palestino Setembro Negro. Em Atlanta (Jogos de 1996), uma bomba explodiu no Olympic Centennial Park, causando medo e matando duas pessoas. Isso sem falar nos boicotes de 1976 (Montreal), de países africanos em função do Apartheid/África do Sul; de 1980 (Moscou), de países aliados aos Estados Unidos, supostamente em função da invasão soviética no Afeganistão; e de 1984 (Los Angeles), o troco do bloco soviético, supostamente pela falta de segurança para os atletas.

Nos últimos dias vemos mais uma vez a forte ligação entre esporte e política, algo que tanto negam os dirigentes esportivos mundiais, negociantes, em diversos graus e com distintos interesses, do fascínio que ocasiona a prática esportiva. Seguindo-se aos protestos de monges tibetanos, que foram massacrados pela polícia chinesa ao reivindicarem o direito de professar sua religião e a liberdade de seu país (invadido pela China desde 1951), por todo o mundo surgiram manifestações, cujos fatos mais significativos ocorreram por ocasião do acendimento da Tocha Olímpica, realizada em Atenas, e mais recentemente com o impedimento do bom andamento do desfile da chama pelas ruas de Londres e Paris (onde inclusive foi apagada e teve que seguir o trajeto de ônibus). Nos Estados Unidos e na Argentina protestos já estão preparados, aumentando a tensão entre o Comitê Olímpico Internacional (que quer suspender a cerimônia) e os chineses (que encaram a suspensão como uma derrota).

O que diferencia esses protestos dos anteriores? A própria ordem mundial e a estratégia e alcance da reivindicação, que faz uso dos novos mecanismos telemáticos (telefonia, computadores, a grande rede mundial) para conclamar e envolver gente de todo mundo. Estamos todos em rede, eu, você, as empresas e corporações, as organizações de contestação que se reúnem no Fórum Mundial Social e contra as reuniões da OMC. Uma luta quase já não é mais somente de um grupo pequeno, mas repercute por todo o planeta, dando visibilidade enorme ao que outrora poderia ser apenas um problema interno (como a China insiste em afirmar).

Do ponto de vista simbólico, esses jogos já são o mico que ficou na mão da China. Por mais que a organização dos Jogos seja fantástica (e o será), por mais que os meios de comunicação exaltem as realizações e esqueçam os protestos, como provavelmente fará e majoritariamente o fez, por exemplo, por ocasião dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (que hoje poderiam ser chamados de Jogos Pré-Dengue?), essa versão da competição não passará para a história como aquela que provou a grandeza de um país, como esperavam os chineses, mas sim como a que confirmou a tese de que se trata de um regime desumano e violento. Os Jogos da China serão os Jogos do Tibete, país que, alias, sequer era conhecido por grande parte da população antes dos protestos.

Esse prognóstico vai se tornar mais concreto se alguns chefes de estado confirmarem que não comparecerão a abertura, postura já anunciada pela Chanceler Alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Há ainda pressões sobre o primeiro-ministro inglês e sobre o presidente norte-americano para que façam o mesmo. O Parlamento Europeu já discutiu o boicote. Menos provável é que países e atletas venham a boicotar os Jogos, até mesmo porque grande parte dos Comitês Nacionais tem contratos comerciais assinados com patrocinadores diversos.

Do ponto de vista do negócio, o que realmente interessa aos dirigentes da chamada “família olímpica”, as coisas seguirão em frente, ainda que as empresas patrocinadoras expressem sua preocupação, não pelo Tibete, é obvio, mas sim por ter sua imagem ligada à tamanha polêmica. Marcas de refrigerante, de celular, de informática, de produtos esportivos, redes de televisão, entre muitos outros, devem se esforçar mais ainda para convencer a todos de que se trata do grande espetáculo de união internacional (tirando o Tibete; que país impertinente, não?).

Episódios como esses dos Jogos de Pequim/Tibete não só explicitam a relação esporte-política como também demonstram o quanto é equivocado analisar a prática esportiva a partir de um modelo único e linear (a velha chave esporte=alienação). A complexidade desse fenômeno nos conclama a análises mais aprofundadas. O esporte em si não tem uma essência boa ou ruim. Os usos que dele se faz é que vai determinar, sempre de forma matizada e relativizada, sua potencialidade enquanto ferramenta de possível benefício (ou não) para os povos. O esporte é humano (demasiadamente humano) e deve ser historicamente entendido.

Como seres humanos, vamos sim assistir os Jogos de Pequim/Tibete, e provavelmente muitos de nós vamos torcer pelas seleções/atletas nacionais e/ou ficar encantados com a magia artística das realizações atléticas. Mas convém não esquecer o Tibete. Convém não esquecer que aquilo que nos encanta nenhuma relação linear tem com solidariedade e/ou fraternidade. É um negocio como outro qualquer, que inclusive pode ou não contribuir para a melhoria das condições de vida dos cidadãos. Os Jogos de 1992 foram, por exemplo, fundamentais para Barcelona. Quanto aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro... Alguém pode me emprestar o repelente?

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