quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O jornalista Luiz Weis comenta a eleição americana

Duas visões da vitória de Obama

Por Luiz Weis em 10/11/2008

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br

 

Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um tremendo sinal que nós mandamos.”

Se fosse mais uma das incontáveis cenas explícitas de adesismo que os políticos se permitem o tempo todo em toda parte (Mangabeira Unger e Eduardo Paes em relação a Lula, por exemplo, guardadas as devidas), o episódio não serviria de gancho para espetar nele um comentário – ou uma provocação – sobre o que parece a este blogueiro um dos aspectos mais interessantes da eleição americana de que a imprensa mundial se ocupou, com pencas de fatos e argumentos, mas, salvo engano, sem parar para discuti-los.

A deputada, a rigor, não aderiu a Obama. O que ela queria, segundo uma interpretação, era “não ficar no lado errado da história”. Isso deve ser verdade também para aqueles americanos que, a julgar por suas manifestações dos últimos dias, sonhavam desde criancinha com a eleição de um negro para a Casa Branca – e com os quais não se devem confundir os milhões de pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos, que torciam ardentemente por ele e acham que o mundo ficou melhor depois da maior das terças-feiras da história da América.

Mas não é nem disso que se trata exatamente. O ponto – que remete aos tais fatos e argumentos que inundaram a mídia, sem que ela os tivesse posto em debate – está no fecho da fala da senhora Bachmann.

Repetindo: “Foi um tremendo sinal que nós enviamos”.

Então lá vai: “Nós” quem, cara-pálida?

”Nós”, evidentemente, seriam os Estados Unidos da América – os seus valores de berço com os quais o país, sem distinções, se reencontrou elegendo Obama. Não foi ele próprio quem disse, no discurso de vitória, que a América “é o lugar onde tudo é possível”?

Ou, no título do editorial da edição do último domingo do Observer, de Londres: “A América restaurou a fé mundial nos seus ideais”.

Aceitar esses enunciados pelo seu valor de face implica, primeiro, passar batido pelo fato de que esses ideais – “democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”, Obama, no mesmo discurso – conviveram durante 76 anos (de 1787, quando foi promulgada a Consitutição de Filadélfia, a 1863, quando acabou a Guerra Civil) com a escravidão legal e, depois, durante mais de um século com a segregação racial, aberta ou disfarçada, em muitas partes da América.

É fato histórico que, entre abolir a escravidão e garantir a unidade das 13 colônias que viriam a formar os Estados Unidos, os “pais fundadores” escolheram a unidade.

É fato histórico ainda que eles adotaram um sistema político – o do voto majoritário, ou distrital, para a eleição do Congresso, combinado com a escolha em última análise indireta do presidente da República – concebido para barrar a ascensão ao poder das minorias, quaisquer que fossem. E adotaram um sistema eleitoral feito para desestimular os mais pobres a votar [“O voto americano visto do Brasil”, neste blog].

Mas é fato histórico também que, em matéria de liberdades individuais, a começar da mais essencial delas, a de expressão, nenhum país iguala os Estados Unidos.

A América, escreveu na semana passada o historiador e jornalista holandês Ian Buruma, “representa o que o combalido mundo ocidental tem de melhor e de pior”. Pura verdade. Mas, de repente, é como se o pior se tivesse evaporado.

Em segundo lugar e mais prosaicamente, aceitar o enunciado de que “a América” elegeu Obama faria sentido se ele devesse a sua vitória a uma maioria homogênea, ou quase isso, de eleitores. Não foi assim: quem deu a Obama 65,4 milhões de votos (ante 57,4 milhões para McCain) foi uma determinada América – a coalisão de negros, jovens, mulheres e hispânicos das grandes cidades.

As pesquisas de boca-de-urna (depois da votação) revelaram que votaram em Obama 95% dos negros, 70% dos moradores das metrópoles, 66% dos jovens de 18 a 29 anos – o grande exército mobilizador de recursos e eleitores, via internet –, 66% também dos hispânicos e 56% das mulheres.

A propósito, dos eleitores de primeira viagem, 7 em 10 votaram em Obama.

Se dependesse apenas do voto masculino, não se sabe no que daria a eleição. Foram 49% para Obama, 48% para McCain. Se dependesse apenas do voto branco, daria McCain por 55% a 43%. Embora, proporcionalmente, mais homens brancos votaram em Obama do que em qualquer outro candidato democrata desde Jimmy Carter (1976), Bill Clinton incluído.

Além disso, Obama ganhou no Nordeste, no Meio-Oeste e no Oeste. Perdeu no Sul (Arkansas, Oklahoma, Louisiana, Tennessee, Missisippi, Alabama, Georgia e Carolina do Sul), ainda que tivesse obtido uma vitória histórica – com perdão pelo adjetivo – na Carolina do Norte.

A coalisão pró-Obama foi também uma coalisão de motivações – o que a ênfase no “voto da América” que percorre a mídia torna mais difícil discernir.

Os negros votaram em Obama, antes de tudo, porque era o primeiro deles escolhido candidato por um dos dois grandes partidos nacionais, portanto o primeiro a ter chances reais de chegar lá.

O mestiço Obama, no Brasil, seria mulato. Nos Estados Unidos de duas cores, negro. E, como tal, os negros o encamparam. Perguntado, depois da vitória, se preferia se referir a Obama como meio-branco e meio-negro, ou simplesmente negro, um barman de Washington respondeu: “Negro. Porque significa mais.”

Não menos revelador – e neste caso também por relativizar a teoria de que “a América” elegeu Obama – foi um comentário recolhido pelo correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, em Birmingham, Alabama.

“Sempre houve, no fundo, a sensação de que os negros não podiam ser parte do povo americano, e muito menos do sonho americano”, disse-lhe Jacqueline Wood, diretora-assistente do Programa de Estudos Afro-Americanos da Universidade do Alabama. “Nós estávamos sentados na cozinha. Agora passamos para a sala de visitas.”

Os jovens votaram em Obama principalmente por se identificar com o mais inspirador (“Yes, we can”) dos políticos americanos desde John Kennedy e decerto o mais singular deles: pelas origens, trajetória, personalidade, estampa – e coolness.

Também junto às mulheres funcionaram as suas “armas de atração em massa”. Com uma particularidade que, de novo salvo engano, só foi destacada na imprensa graças a um artigo no New York Times da sexta-feira, 7, pelo sociólogo jamaicano Orlando Patterson, da Universidade Harvard.

”Essa campanha, de maneira notável, foi uma reencenação da inteira e entrelaçada luta de negros e mulheres pela inclusão política”, observou. “A primeira vez que rejeitaram o seu confinamento ao papel de virtuosa maternidade na esfera privada no início da República foi ao liderar o combate muito público pela abolição da escravatura.”

As conquistas negras sempre pressagiaram os avanços femininos, lembra Patterson, “embora não sempre pelos motivos mais nobres”. Ou seja, o movimento pela emancipação das mulheres se nutria da seguinte rationale: afinal, se os negros podem votar, podem encontrar na lei proteção contra a discriminação e disputar cargos eletivos, por que não nós, mulheres?

A partir dos anos 1980, pela primeira vez desde que conquistaram ao voto, as mulheres passaram a votar proporcionalmente mais do que os homens e mais candidatos progressistas.

”Em termos demográficos crus, o mais importante fator da vitória de Obama foi a margem de 13 pontos a seu favor no eleitorado feminino”, assinala o sociólogo.

De fato, a vantagem de Obama foi relativamente maior entre os mais jovens. Mas estes são apenas 18% do eleitorado. Vale para os hispânicos: como os jovens, 2 em cada 3 deles votaram em Obama, mas representam somente 8% do eleitorado. Já as mulheres (56% pró-Obama) pesaram mais porque são 53% do eleitorado.

E os trabalhadores brancos, aqueles a quem, nas prévias do Partido Democrata, e no seu pior momento, Hillary Clinton pediu o voto com uma mensagem que se curvava ao seu preconceito (”Hard-working Americans; White hard-working Americans…”)? O que levou sabe-se lá quantos deles a votar em Obama?

A resposta, numa palavra, parece ter sido a crise. Como se tivessem posto num dos pratos da balança o medo de ter um presidente negro, no outro o medo de ter um presidente branco incapaz de salvá-los do naufrágio econômico.

O New York Times ouviu um deles, no subúrbio de Levittown, Pensilvânia (Estado em que McCain investiu pesadamente, em vão, na reta final da campanha). O técnico em ar-condicionado Joe Sinitski disse ao repórter Michael Sokolove:

”Durante muito tempo eu não podia ignorar o fato de que Obama é negro, se é que me entende. Não me orgulho disso, mas fui criado a pensar que não há negros bons. Eu podia ver que ele é muito inteligente, e isso conta para mim, mas meu instinto ainda era o de fechar com o branco. Mas, quando ele escolheu [a governadora do Alasca] Sandra Palin para vice, com todos os problemas que a gente tem, isso não mostrou inteligência da parte de McCain. Não dizia coisa boa dele em geral.”

O interesse próprio prevaleceu sobre o racismo, em suma.

O que vai acontecer com o racismo americano não se pode prever. O lugar-comum que se encontra numa página dos jornais e na outra também é que o próprio triunfo de Obama – e a sua repercussão mundial sem paralelo – funciona por si só como um breve contra o preconceito.

Tomara. Afinal, o homem tem uma capacidade única de fazer com que as pessoas ponham para fora o que têm de melhor. A euforia dos europeus, por exemplo, é o reverso da medalha da hostilidade européia aos imigrantes, principalmente de pele escura.

Mas, nos Estados Unidos, há apenas quatro meses uma pesquisa nacional mostrou que apenas 30% dos eleitores brancos diziam ter uma opinião favorável de Obama. E mais: cerca de 60% dos entrevistados negros – e não mais de 34% dos brancos – achavam que as relações raciais no país são em geral ruins.

A pesquisa revelou que muitos padrões raciais na sociedade americana permanecem intocados nos anos recentes. Muito pouco mudou no componente racial da vida cotidiana no país desde 2000, quando o New York Times publicou uma série de reportagens intitulada “Como a raça é vivida na América”.

Exemplo: mais de 40% por cento dos negros americanos acham que foram parados pela polícia por causa da cor de sua pele, a mesmo índice de respostas da pesquisa de oito anos atrás.

”Devagar com o andor pós-racial”, escreveu na Folha o correspondente Sérgio Dávila. “Os Estados Unidos mudaram, os novos eleitores e os eleitores novos ajudaram a eleger Barack Obama – mas foi preciso uma crise econômica sem precedentes e o equivalente ao gênio negro na política concorrendo para que isso acontecesse.”

Toda eleição, obviamente, tem a sua circunstância. A desta, nos Estados Unidos, se chamou George W. Bush, atolando os americanos em duas guerras, nos maiores índices de pobreza e desigualdade desde os impropriamente chamados Anos Dourados (a década de 1920), e, enfim, no colapso financeiro e na recessão.

Foi o que decidiu a parada em favor de Obama. Antes do derretimento de Wall Street, não custa lembrar, ele e McCain estavam cabeça a cabeça nas pesquisas.

Então, uma coisa é dizer que Obama encarna o que a América tem de melhor ou que a América ficou melhor com a sua vitória. Outra coisa é dizer que o resultado eleitoral comprova a excepcionalidade dos Estados Unidos, o poderio incomparável de seus valores.

A imprensa ficou devendo um debate sobre essas duas visões – um debate, em suma, sobre a democracia na América.

 

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Agora cabe a pergunta: O que há de tão importante na eleição norte-americana para nós brasileiros?

Uma pergunta que reside na ampla cobertura das eleições (incluindo as prévias) norte-americanas, na grande repercussão da eleição de Obama e sua representação quase heróica.

O artigo de Luiz Weis prima pela sua observação crítica das eleição. Ele revela através dos dados eleitorais os meandros não-comentados pela imprensa.  Mas a pergunta continua...

E você o que acha?

Até!

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Aziz Ab'Saber comenta sobre o aquecimento global

ENTREVISTA

Opinião divergente

Aziz Nacib Ab'Sáber, geógrafo brasileiro, acredita no aquecimento global, mas adverte que há muito desconhecimento sobre como suas conseqüências podem afetar o país

Por Dante Grecco

Revista National Geographic - 09/2007

 

Desde que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) divulgou seu terceiro relatório, em maio, as discussões sobre o aquecimento global pegaram fogo. Alguns cientistas afirmaram que o painel da ONU foi cauteloso demais - o futuro do planeta pode ser ainda mais sombrio. Outros discordam dessas conclusões e advogam contra o exagero e o alarmismo. Nesse time joga o geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab'Sáber. "É claro que não nego o aquecimento global. Mas há muito desconhecimento sobre como suas conseqüências podem afetar o Brasil", adverte ele.

Formado em geografia pela USP em 1944, especialista em geomorfologia e considerado um dos mais importantes ambientalistas do país, o professor Aziz conhece como poucos a paisagem natural do Brasil e suas relações com o clima. Às vésperas de completar 83 anos, tem cerca de 300 artigos publicados, escreveu oito livros, deu aulas em várias universidades e, entre outros cargos na academia, foi presidente executivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 1994 e 1995. Mesmo aposentado, todas as noites comparece ao Instituto de Estudos Avançados da USP, onde é professor honorário, e vibra como um pesquisador iniciante ao mostrar mapas e imagens do Nordeste feitas por satélite.

Por que o senhor afirma que o aquecimento global não destruirá a Amazônia nem a mata Atlântica?

Houve muito alarmismo nessa questão. Embora algumas afirmações tenham sido feitas por bons cientistas, muitas conclusões foram divulgadas de forma equivocada. Logo me irritou a afirmação de que a Amazônia desaparecerá e o cerrado tomará conta de tudo. Como há décadas estudo o problema das flutuações climáticas e o jogo do posicionamento parcial dos grandes domínios geográficos brasileiros, senti-me ofendido culturalmente. Não havia ciência na afirmação.

Sua teoria envolve uma mudança fundamental nas correntes marítimas, certo?

Em nosso litoral existe a chamada corrente tropical sulbrasileira. É uma corrente de águas quentes que desce desde o Nordeste oriental até o sudeste de Santa Catarina. Essa corrente tem um contrafluxo representado pela corrente das Malvinas, ou Falklands, que vem da Argentina, é composta de águas muito frias e segue quase até o Rio Grande do Sul.

Uma das conseqüências do aquecimento global é que essa corrente tropical sul-brasileira ficará mais larga, ocupará uma área mais afastada da costa e irá avançar mais para o sul do Brasil sobre a corrente fria. Portanto, essa corrente quente levará mais calor para as regiões localizadas entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul, que hoje vivem um conflito entre águas frias e quentes. Com essa massa de água quente que chegará, a evaporação será mais intensa. Podemos deduzir que vai haver maior penetração de umidade no continente.

 

"Não temos como avaliar quanto o mar vai subir nos próximos 100 ou 200 anos. Nesse período os continentes podem até abaixar mais ou se elevar novamente, como ocorreu depois do Plioceno. Se isso ocorrer, o mar irá recuar."

O que isso significará?

Com maior umidade, choverá mais. Por isso, nesse caso o aquecimento global não representará um aspecto negativo do ponto de vista da climatologia da fachada atlântica do Brasil. Portanto, não se pode dizer que a mata Atlântica será atingida por ele. Ao contrário. A tendência é que tanto a mata Atlântica como a Amazônia cresçam, e não que sejam reduzidas. Isso já aconteceu antigamente, num período entre 6 mil e 5 mil anos atrás chamado de optimum climático. Naquela época também houve um aquecimento do planeta, mas foi natural, e não causado pelo acúmulo dos gases na atmosfera, como hoje.

O que houve naquela época?

Entre 20 mil e 12 mil anos atrás, o planeta passou por um período de glaciação. Devido ao congelamento de águas marinhas nos pólos Norte e Sul, o nível dos oceanos era cerca de 90 metros mais baixo do que o registrado hoje. Depois disso, por volta de 11 mil anos atrás, houve um período de transição entre um clima frio e um mais ameno e ocorreu um ligeiro aquecimento da Terra. O frio intenso deu lugar a um clima mais tropical, como ocorria antes da glaciação. Com isso, as grandes manchas florestais, que haviam ficado distantes umas das outras naquele clima frio e seco, cresceram e se emendaram. A esse processo, que aconteceu principalmente na costa brasileira, eu dei o nome de retropicalização.

E o que aconteceu depois?

O planeta continuou a esquentar, embora houvesse variações de temperatura para cima ou para baixo. Com isso, boa parte do gelo que estava concentrado nas regiões polares se derreteu. O auge desse aquecimento se deu entre 5 mil e 6 mil atrás, no optimum climático. O aquecimento foi tal que o nível dos oceanos se elevou cerca de 2,90 metros acima do registrado hoje. Em minha interpretação, quando o mar subiu em conseqüência daquele aquecimento do planeta, ele trouxe mais umidade para dentro do continente.

 

Houve mais chuvas, o que favoreceu a continuidade das florestas. O optimum é uma fase da história climática do mundo que vários cientistas e o próprio IPCC não consideraram. Como naquele período nem a mata Atlântica nem a Amazônia desapareceram do mapa, não é certo dizer que até 2100 a Amazônia vai virar cerrado. O problema não é o que acontecerá daqui a 90 anos, e sim o que ocorre hoje.

Por quê?

A região amazônica tem 4 milhões de quilômetros quadrados e, em menos de 25 anos, perdeu 500 mil quilômetros quadrados de florestas. Isso significa que uma área equivalente a duas vezes o estado de São Paulo já foi destruída. É muita coisa. Ou seja, hoje Amazônia está tendo problemas de savanização devido à ação antrópica. Ocorrem desmatamentos ao longo das rodovias, dentro das selvas e junto das chamadas espinhelas de peixe, nome que os amazônidas dão aos imensos quarteirões ocupados por especuladores, os quais se mudaram de lá e venderam pedaços da mata a pessoas de muito longe que imaginaram ter uma fazendinha na região. Depois, essas pessoas liberaram as terras para os madeireiros, que arrasaram com tudo.

O senhor tem alguma outra divergência em relação ao que foi divulgado sobre o aquecimento global?

Sim. Uma coisa é o aquecimento global, outra é sua continuidade ou não ao longo dos anos. Os cientistas dizem que vai ser sempre assim. O planeta ficará cada vez mais quente. Com isso, o calor provocará mais derretimento de geleiras, o que aumentará ainda mais o nível do mar. E assim sucessivamente. Esse raciocínio é muito simplista. Não temos como saber nos próximos anos como o mar vai subir.

Portanto, também não temos como avaliar quanto ele irá se elevar daqui a 100 ou 200 anos. Nesse período os continentes podem até abaixar mais e as águas do mar, inundar zonas costeiras bem maiores. Ou o contrário. Eles podem subir, como ocorreu depois do Plioceno. E com isso o mar irá recuar. Didaticamente, eu fiz os cálculos para dez, 50 e 100 anos. Depois parei. Ainda há a questão das diferenças entre as marés baixa e alta. Na costa do Maranhão, por exemplo, essa diferença é de 8 metros. Tudo isso não foi considerado.

Mas não se pode negar que uma das piores conseqüências do aquecimento global será o aumento do nível das águas do mar.

A ascensão do nível das águas dos oceanos provocada pelo derretimento das geleiras polares e das geleiras das altas montanhas vai criar graves problemas na zona costeira do Brasil. São 8 mil quilômetros de litoral. A água deverá invadir diversas cidades litorâneas, como Santos, Rio de Janeiro e Recife, entre outras, criando mini-Venezas. Será preciso fazer pontes e diques na frente das praias e nas margens dos rios. A água vai também tomar conta das barras dos rios e alagar planícies rasas e manguezais, com prejuízos ambientais e econômicos.

O que o senhor sugere, diante do problema atual?

Disso tudo eu tirei uma conclusão. Primeiro, é preciso reduzir a emissão de gases particulados na atmosfera para mitigar o efeito estufa. Que fique bem claro que eu não discuto o aquecimento global. Depois, devem-se acompanhar os fatos ao longo de um certo espaço de tempo para avaliar todas as variações. A seguir, é fundamental um bom planejamento para evitar maiores conseqüências sobre as regiões costeiras, que serão as áreas mais atingidas.

O extremo sul do Brasil, por exemplo, vai ser pouco afetado, já que, com a suspensão das águas, deve acontecer o que ocorreu durante o optimum climático. A corrente marítima quente irá descer mais para o sul, levando maior umidade e, conseqüentemente, mais chuva para o interior do território.

"A alteração das correntes marítimas pode fazer com que aumente a umidade no processo de evaporação. Com isso, choverá mais. A tendência é que tanto a mata Atlântica como a Amazônia não sejam reduzidas devido ao aquecimento global."

Em junho, iniciaram-se as obras da transposição das águas do rio São Francisco, em Cabrobó, em Pernambuco. O senhor crê que ela vai matar a sede da população do Nordeste seco?

Fala-se que essa obra beneficiará cerca de 12 milhões de pessoas. Não acredito. Ela vai beneficiar principalmente os pecuaristas. O mais triste é que os donos das fazendas nem moram lá, mas sim em capitais como Fortaleza e Recife. A região do São Francisco é muito complexa. No Nordeste chove muito no verão e pouco no inverno, embora digam o contrário. É evidente que o Nordeste seco vai precisar de mais água quando o rio São Francisco, que passa em grande parte pelo cerrado de Minas Gerais e da Bahia, estiver mais baixo. Será justamente nessa época que o rio precisará jogar mais água para os eixos norte e leste que serão construídos até ela cair no açude de Orós. Aí surge um problema. As águas do São Francisco são poluídas e vão se encontrar com águas salinizadas do próprio açude. Ou seja, nessa época será preciso fazer uma transposição de águas maior do que a planejada.

Como assim?

Quem é a favor da transposição diz que o rio vai perder apenas 1,4% de suas águas após o término das obras. Mas é claro que no futuro essa porcentagem deve aumentar. Ou seja, serão transferidas mais águas do rio para os futuros eixos que vão ser construídos. Outro problema será manter as usinas hidrelétricas de Paulo Afonso, Itaparica e Xingó funcionando. Então, a época em que o rio receberá menos água vai ser a mesma em que ele deverá enviar águas para além da chapada do Araripe. Isso é um contra-senso, pois, quando estivesse chovendo lá, não seria preciso enviar água para a mesma região.

Quais são os impactos ambientais que a transposição pode causar?

Talvez o principal seja a poluição das águas. Vários afluentes do São Francisco vêm de Belo Horizonte, uma das maiores cidades do Brasil, e passam pela região industrial sidero-metalúrgica. Um deles é o rio das Velhas, por exemplo. O São Francisco tem 2170 quilômetros de extensão. Imagine a poluição que ele carrega nessa distância. Técnicos disseram que iam revitalizá-lo antes de fazer a transposição. Outro erro, pois não se pensou naqueles que têm só as margens do rio para plantar, como na zona semiárida das cidades de Ibotirama, Barra e Xique-Xique, na Bahia. Com a revitalização, eles perderão esses espaços.

Qual é a sua opinião sobre a afirmação do presidente Lula, em maio, de que os usineiros de cana são "uns heróis"?

Heróis são os cortadores de cana, que levam uma vida quase de escravo, e não os donos da terra. Por que o presidente Bush veio a São Paulo e não foi a Brasília? Porque os Estados Unidos sabem que o interior de São Paulo sempre teve culturas agronômicas importantes, hoje controla as maiores plantações de cana-de-açúcar do Brasil e que o etanol de cana vem sendo usado nos carros como combustível. Eles não têm esse know-how. Na verdade, os Estados Unidos precisavam incentivar o Brasil a ampliar sua área canavieira para poder vender mais tarde. Quem vai controlar o preço depois? Eles, é claro.

"É preciso reduzir a emissão dos gases que causam o efeito estufa. Depois, é necessário acompanhar os acontecimentos ao longo de um certo espaço de tempo para avaliar todas as variações."

O que pode acontecer em termos ambientais se o governo incentivar a produção de cana para depois produzir etanol?

É simples. Se o governo facilitar, a cana-de-açúcar será o mais novo produto a tentar se estabelecer na Amazônia. Sempre que se deseja ampliar as fronteiras agrícolas do país se fala na Amazônia. É como se lá houvesse um solo polivalente. Se o preço do etanol subir, vão tentar fazer novas penetrações na floresta. Além da agropecuária, dos madeireiros, dos loteadores e dos plantadores de soja, a Amazônia também poderá ter daqui a algum tempo os cultivadores de cana. Será que ela resiste?

 

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br

Boa leitura. Até!

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Versões do Capitalismo...

Para distrair... Até!

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CAPITALISMO IDEAL:

Você em duas vacas.

Vende uma e compra um touro.

Eles se multiplicam, e a economia cresce.

Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

 

CAPITALISMO AMERICANO:

Você tem duas vacas.

Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.

Fica surpreso quando ela morre.

 

CAPITALISMO JAPONÊS:

Você tem duas vacas.

Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.

Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

 

CAPITALISMO BRITÂNICO:

Você tem duas vacas.

As duas são loucas.

 

CAPITALISMO HOLANDÊS:

Você tem duas vacas.

Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

 

CAPITALISMO ALEMÃO:

Você tem duas vacas.

Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

 

CAPITALISMO RUSSO:

Você tem duas vacas.

Conta-as e vê que tem cinco.

Conta de novo e vê que tem 42.

Conta de novo e vê que tem 12 vacas.

Você para de contar e abre outra garrafa de vodka.

 

CAPITALISMO SUÍÇO:

Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.

Você cobra para guardar a vaca dos outros.

 

CAPITALISMO ESPANHOL:

Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

 

CAPITALISMO PORTUGUÊS:

Você tem duas vacas.

E reclama porque seu rebanho não cresce…

 

CAPITALISMO HINDU:

Você tem duas vacas.

Ai de quem tocar nelas.

 

CAPITALISMO ARGENTINO:

Você tem duas vacas.

Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês…

As vacas morrem.

Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

 

CAPITALISMO BRASILEIRO:

Você tem duas vacas.

Uma delas é roubada.

O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.

Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas (duas) e não pelo de vacas reais (uma).

A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo…

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Domínio Público

"Domínio público, no Direito da Propriedade Intelectual, é o conjunto de bens culturais, de tecnologia ou de informação - livros, artigos, obras musicais, invenções e outros - cujos direitos econômicos não são de exclusividade de nenhum indivíduo ou entidade. Tais bens são de livre uso de todos, eis que integrando a herança cultural da humanidade. Bens integrantes do domínio público podem ser objeto, porém, de direitos morais, cabendo sempre citar-lhe a autoria e a fonte" (Wikipedia)

Ou seja, aproveite a oportunidade e acesse o portal http://www.dominiopublico.gov.br para descobrir a riqueza de obras nacionais disponíveis gratuitamente.

Segundo o ministro Fernando Haddad:

"Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal."

Aproveite, é de graça!

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Livros gratuitos

Para aqueles que se interessam sobre a temática urbana, o Laboratório de Geografia Urbana da Universidade de São Paulo (USP) possui alguns livros virtuais disponíveis de forma gratuita. Dentre eles o livro "O Espaço Urbano" de Ana Fani Alessandri Carlos. 

Acesse agora:


Até!




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Geografia: pequena história crítica


Um clássico da geografia brasileira disponível para download no MinervaMutante. Se gostar, compre e apague o arquivo baixado. Trata-se de um bom livro de custo muito baixo e de fácil obtenção em sebos e livrarias. A disponibilização de seu conteúdo é de caráter demonstrativo, para divulgação da obra e não para nenhuma forma de enriquecimento.

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Use mas não abuse. 

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Uma outra "pincelada" sobre a crise

FERNANDO CARDIM

"Será preciso repensar um projeto para o país"

O Brasil tem alguns trunfos significativos para enfrentar a crise. Ao contrário de muitos países da periferia do capitalismo, a escala do mercado interno e a existência de uma base industrial ampla e sofisticada dá boa margem de manobra à economia brasileira. Mas é preciso realmente ativar essas potencialidades, defende o economista Fernando Cardim, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Ainda é cedo para antecipar o alcance transformador dos abalos sísmicos que sacudiram o sistema capitalista nas últimas semanas. Solavancos desse porte, todavia, quase sempre empurraram o debate intelectual e a luta política na periferia do capitalismo, renovando a agenda do desenvolvimento e a da democracia. 

O Brasil não figurou entre as exceções em nenhum dos grandes marcadores dessa linha do tempo que vai de 1929 à Segunda Guerra, passando pelos choques do petróleo e o do juros, nos anos 70, ao colapso da dívida externa nos anos 80, apenas para citar algumas pontos de baldeação estratégica. 

Ainda que menos vulnerável desta vez, ancorado em reservas de US$ 205 bi; e tendo conquistado a auto-suficiência energética; uma ampliação do mercado interno; renovado o leque comercial e promovido uma retomada do investimento público com o PAC, ainda assim, o país não escapará à necessidade de um aggiornamentoeconômico. 

Essa é a opinião do economista Fernando Cardim, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

A discussão de um novo projeto econômico, no seu entender, tende a se impor à medida em que fica cada dia mais claro que o assoalho que sustentava a dinâmica anterior se desfez. A liquidez abundante e o comércio internacional aquecido dificilmente sobreviverão ao esfarelamento do sistema financeiro mundial.

A etapa seguinte à emergência financeira - centrada, por enquanto, no esforço para destravar os mecanismos de crédito da economia -, requisitará linhas de passagem para um outro padrão de crescimento. Carta Maior acredita que esse debate vai redefinir a agenda política do país, e fará de 2010 uma disputa histórica, marcada por forte sentido de mudança na matriz do nosso desenvolvimento. 

A seguir, excertos da conversa de Fernando Cardim com Carta Maior:

Flanco externo: o canal de transmissão da crise
"De imediato temos que nos mover entre três fogos, sendo um deles favorável: a depreciação cambial, que devolve competitividade às exportações. As duas outras linhas de tiro, porém, a recessão mundial e a reversão do fluxo de capitais - que não apenas afasta novos investidores, como gera saída líquida de recursos - sugerem, à primeira vista, um retorno ao velho padrão de vulnerabilidade externa. De forma recorrente, ele tem abortado o desenvolvimento na periferia do capitalismo em períodos de reversão do ciclo de liquidez e juros baixos no plano mundial. Porém, desta vez, há complicadores adicionais".

Fator China, o limite que não existia
"Embora disponha de reservas cambiais significativas – diferente do que aconteceu no governo Fernando Henrique, por exemplo,quando o país quebrou três vezes - o reposicionamento externo da economia nesta crise terá que ser pensado de forma mais abrangente. O fator China delimitará significativamente o passo seguinte da industrialização brasileira. Já era assim antes da explosão da bolha, mas o problema agora é que os chineses também vão se tornar mais agressivos comercialmente. Tentarão, inclusive, ganhar mais espaço no mercado interno brasileiro". 

As diferenças entre 1929 e 2008
"Durante o ciclo de industrialização que sucedeu à crise mundial de 1929, a China sequer era um país e tinha pouco impacto econômico no curso brasileiro. O Brasil pode, então, deslanchar um projeto de industrialização substitutiva de importações que mudou o porte e a complexidade de sua economia. Hoje temos uma base industrial ampla e diversificada. Nesse sentido estamos melhores. Acontece que a China também mudou. E proporcionalmente mais que nós. Tornou-se um competidor agressivo no mercado mundial, com um leque amplo de produtos que incluem desde industrializados de baixo preço, até linhas mais sofisticadas como bens de capital e produtos eletrônicos modernos. Sua mão-de-obra é das mais baratas do mundo. A escala demográfica do país projeta o horizonte dessa exploração para anos à fio".

"Com apenas 20% da população no setor moderno da economia, a China já reúne 300 milhões de pessoas - mais que um Brasil inteiro - produzindo com os olhos voltados fixamente no mercado mundial. E tem de sobra um exército de reserva de 750 milhões de pessoas, que costuram manufaturados até com o dente, se preciso, para ganhar algum dinheiro". 

Chineses marcam o campo todo do comércio mundial
"No passado, cada vez que um país pobre se desenvolvia, galgando posições no processo industrial, deixava para trás um espaço vazio que podia ser ocupado por outros. Sempre foi assim e o próprio Brasil se aproveitou dessas “aberturas” para investir em manufatura de baixo preço, como tecidos, sapatos e alimentos industrializados. Com a China a regra do jogo mudou. Ela vai para frente mas não abre um buraco atrás. A China marca o campo todo do comércio mundial: vende de sapatos a bens de capital, moda e microeletrônica. Os chineses agarram o filé mas também não soltam o osso".

"Esse padrão é totalmente novo. E deve se aprofundar com a crise colocando algumas provas cruciais à industrialização brasileira parasuperálo. Com a retração do mercado norte-americano, os chineses tentarão, inclusive, avançar sobre o terreno já conquistado pelo Brasil no seu próprio mercado" (NR: para desovar a produção que não conseguem mais vender aos EUA e Europa, fabricantes chineses de calçados estão oferecendo descontos de preços de 40% a 50% a importadores brasileirso -- Valor Econômico de 17-10).

Quem atrelou o destino ao mercado norte-americano derrete 
O Brasil tem a sorte de haver resistido às propostas de livre comércio tão festejadas nos anos 90. Países como o México, por exemplo, que transformaram sua indústria em maquiladora para vender aos EUA, serão esfareladas pelo acirramento da concorrência gerada pela retração mundial. As maquiladoras mexicanas não têm como enfrentar a concorrência chinesa, mesmo estando na fronteira com os EUA. O México sofrerá muito, também, com a queda nos preços do petróleo. Está emparedado.

Repensar um projeto para o Brasil 
"O que sobra para o Brasil? Temos trunfos significativos. Ao contrário de muitos países da periferia do capitalismo, a escala do mercado interno e a existência de uma base industrial ampla e sofisticada dá boa margem de manobra à economia brasileira. Mas é preciso realmente ativar essas potencialidades. Como? Esse é o debate que tomará força a partir de agora". 

Um recorte keynesiano/gaullista para a economia
"Eu diria que vamos precisar de um projeto de recorte keynesiano/gaullista. Trata-se de assegurar o mercado interno para o investimento interno brasileiro. Todas as brechas devem ser acionadas. Os limites de proteção autorizados pela OMC devem ser ativados; e outros devem ser pensados. Ademais, é preciso dar ao PAC a verdadeira dimensão de um projeto reestruturante, com estratégia corajosa de expansão e consolidação do mercado interno".

Indução pública do investimento sem depender de poupança externa
"A liquidez externa vai secar. Mas a verdade é que o Brasil não precisa e não deve depender de poupança externa. Temos potencial mobilizável para manter uma taxa de investimento alta na economia. Obviamente, com juros reais de 8% ao ano, fica difícil, como se viu até agora. Mas o país pode e deve reposicionar seus instrumentos de política econômica: a) além de baixar os juros, é preciso dar ao BNDES o capital que for necessário para que o banco possa arrastar o restante dos investidores privados em direção a projetos produtivos. Poucos países do mundo têm um trunfo como o do BNDES, não se pode desperdiçá-lo; b) é necessário promover uma reforma no mercado de capitais para induzir recursos ao setor produtivo; c) é indispensável atrelar a política fiscal firmemente a um plano de investimentos em infra-estrutura".

O risco do déficit em transações correntes 
Ao mesmo tempo, temos que fechar o flanco externo ou logo teremos problemas nas contas correntes. A primeira providência é mudar a política do BC. Nos últimos anos, uma política de juros absurda inundou o país de capitais externos sobrevalorizando o Real. As importações baratearam enquanto perdíamos, simultaneamente, competitividade externa.O descompasso comercial era compensado pelo ingresso de capitais voláteis atrás dos juros oferecidos pelo BC. Essa mecânica se esgotou. Já temos sinais de saída de dólares para cobrir posições e prejuízos no exterior. Do jeito que vai em um ano estaremos pagando importações com dinheiro de reserva e não com a venda de produtos. É imperioso deter essa dinâmica. O baque do Real ajuda, mas é necessário dar estabilidade às cotações e sintonizar a taxa de juros à nova realidade macroeconômica".

Integração sul-americana não virou abraço dos afogados
"Alguns países da América do Sul vão sentir duramente a crise, caso do Equador e da Venezuela, atingidos em cheio pela queda nos preços do petróleo. O Chile será abalroado pelo mergulho das cotações do cobre. A Argentina, que já vinha com problemas, mesmo ancorada nos preços altos das commodities agrícolas, viverá ajustes inevitáveis. Seria precipitado, porém, dizer que a crise reduz a agenda da integração sul-americana a um abraço dos afogados. Não creio. Dependerá muito do Brasil. A exemplo do que fez Alemanha no caso da União Européia, cabe a nossa liderança garantir um guarda-chuva político e econômico aos parceiros regionais nesse momento. Afinal, interessa ao Brasil que o mercado sul-americano seja preservado".

"Dificuldades e assimetrias sempre existiram, mas agora talvez fique até mais fácil a condução política da agenda regional. Chávez, que disputava a liderança do processo com Lula, perderá densidade nas negociações proporcionalmente à redução das receitas com petróleo, sua principal arma de convencimento. Em relação à Argentina, se é verdade que o Brasil deve conter “radicais” que negam legitimidade a sua reindustriualização, o tom, do lado de lá, deve ficar mais amistoso. Sem o apoio do Brasil a Argentina certamente pagaria mais caro o ajuste cobrado pela crise. Espanta-me apenas o Equador. Numa hora como essa, seu governo age de maneira atabalhoada, como se não medisse as conseqüências do isolamento em relação ao Brasil. Parece mesmo desdenhar o contrapeso que a integração regional pode exercer para mitigar a crise". 


Fonte: CARTA MAIOR

Até!

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A história da máquina revolucionária do pós-modernismo: o computador pessoal

Acredito que essa pequena historieta sirva como contextualização para a apreciação do vídeo abaixo. De qualquer forma pode ser de alguma valia.

Quando se pensa na história do computador e da Internet, observa-se que, apesar de muitos equipamentos terem aparecido bem antes, eles surgiram em torno dos anos 40 do século passado e eram enormes, ocupando vários metros quadrados. Esses equipamentos passaram por uma grande evolução, que pode ser dividida em gerações. Cada geração é caracterizada pelo desenvolvimento tecnológico no modo como o computador opera, resultando em equipamentos cada vez menores, mais poderosos, eficientes rápidos,e baratos.

...
 Primeira geração (em torno de 1940-1959)

Os computadores eram lentos, enormes, ocupavam salas inteiras e tinham muitos metros de fios, eram equipadas com válvulas eletrônicas e gastavam muita energia, sua operação era muito cara e esquentavam muito, o que era, freqüentemente, a causa de mau funcionamento, usavam linguagem de máquina para executar operações, só podendo resolver um problema de cada vez, a memória baseava-se em cilindro magnético, a velocidade de processamento era da ordem de milissegundos e a capacidade de memória era de 2 a 4 kbytes, a entrada de dados era feita por meio de cartões ou fita de papel perfurados, a saída de dados era feita por impressoras, não existia sistema operacional. Os programadores eram operadores e controlavam o computador por meio de chaves, fios eluzes de aviso.

Exemplos: ENIAC, UNIVAC

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 Segunda geração (1959-1964)

 Houve a substituição das válvulas eletrônicas por transistores e os fios de ligação por circuitos impressos, o que tornou os computadores mais rápidos, menores, e de custo mais baixo. Mas ainda esquentavam muito. Mudança da linguagem de máquina binária para as linguagens simbólicas, como FORTRAN, que permitiram que os programadores especificassem instruções em palavras, a memória passou de cilindro magnético para a tecnologia do núcleo magnético, a velocidade de processamento era da ordem de milissegundos a capacidade de memória era de 20 megabytes, surgiram os primeiros armazenadores externos de informações: fitas magnéticas e discos, a entrada de dados era feita por cartões ou fita de papel perfurados, a saída de dados era feita por impressoras,  foram criados os sistemas em lote, "batch systems", que possibilitaram um melhor uso dos recursos computacionais. Havia um programa monitor, usado para "enfileirar" as tarefas. Cada programa era escrito em cartões ou fita de papel perfurados, que eram carregados por um operador, juntamente com seu compilador. O operador em geral utilizava uma linguagem de controle chamada JCL (job control language).

Exemplos: TRADIC, IBM TX-0

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 Terceira geração (1964-1970)

 Os computadores passaram a ter circuitos integrados, sendo que os transistores foram miniaturizados. Estes aumentaram a velocidade e a eficiência das máquinas, proporcionando redução tanto dos custos como da velocidade de processamento. Sendo menores e mais baratos tornaram-se acessíveis para um grande número de pessoas,  teclados e monitores substituíram os cartões e papel perfurados,  o sistema operacional passou a permitir que muitos programas pudessem ser executados ao mesmo tempo (multitarefa), inclusive monitorando a memória,  a velocidade de processamento era da ordem de microssegundos.

Exemplos: DCC 6600, Nova

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 Quarta geração (de 1970 até a época atual)

 o microprocessador, com milhares de circuitos integrados em um único "chip" de silicone, proporcionou maior grau de miniaturização, confiabilidade e velocidade, já da ordem de nanosegundos (bilionésima parte do segundo), outros equipamentos começaram a usar os microprocessadores, iniciou-se a ligação dos computadores em redes o que conduziu ao desenvolvimento da Internet, houve o desenvolvimento da interface gráfica - GUI, "Graphical User Interface" - baseada em símbolos visuais, como ícones, menus e janelas que promoveram maior interação entre o sistema e o usuário, a velocidade de processamento era da ordem de nanossegundos,  apareceram linguagens múltiplas de programação como Cobol, Pascal, Basic, começou a transmissão de dados entre computadores através de rede,  intensificou-se a produção de computadores objetivando o usuário doméstico.

Exemplos: Lisa, MacIntosh, IBM 5150, 386

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 Quinta geração (época atual e futuro)

 o objetivo é desenvolver equipamentos que respondam à entrada de dados por voz e que sejam capazes de aprendizagem e de organização,  altíssima velocidade de processamento,  grande capacidade de armazenamento de dados dos discos rígidos (de 40 e 80 GBs já eram comuns em lojas brasileiras no início de 2007), o DVD pode acumular uma quantidade dez vezes maior de dados do que o CD-rom,  alto grau de interatividade, inclusive com reconhecimento de voz por alguns aplicativos  o uso de processamento paralelo e de supercondutores.
está impelindo o surgimento da "inteligência artificial".

Mais informações:


Seria o futuro do computador representado por este vídeo?





Assim veremos!

Até!

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O economista Raghuram Rajan mostra uma outra perspectiva da crise e da solução bilionária encontrada pelos países ricos

“É preciso aumentar o capital dos bancos”

 | 10.10.2008

Por Eduardo Salgado

EXAME Para Raghuram Rajan, professor de finanças da Universidade de Chicago e ex-economista-chefe do FMI, o plano de 700 bilhões de dólares pode limpar os balanços dos bancos, mas não vai fazer com que eles voltem a emprestar

EXAME Qual é a principal deficiência do plano americano de 700 bilhões de dólares?

Rajan - O plano não tem uma estratégia explícita para os bancos levantarem mais capital. A menos que eles aumentem seu capital, o plano oferece apenas medidas parciais. O plano tenta limpar os balanços. Mas mesmo que esse objetivo seja atingido, os bancos estarão assustados demais para emprestar para as empresas. Eles provavelmente continuarão desalavancando. É preciso recapitalizar os bancos.

EXAME - Quais são as chances de que a execução do plano de 700 bilhões de dólares realmente destrave os fluxos de crédito?

Rajan - Depende de como ele vai funcionar. O plano do Tesouro americano tenta recapitalizar instituições financeiras de três modos diferentes. Primeiro, ao pagar acima do valor de mercado por ativos ilíquidos (os títulos podres), o Tesouro espera recapitalizar indiretamente as instituições. Segundo, ao criar um mercado para ativos ilíquidos e permitir que os preços sejam estabelecidos, ele espera que outros operadores privados entrem no mercado. Terceiro, o Tesouro provavelmente espera também que, quando os ativos ilíquidos estiverem fora dos balanços, as instituições terão balanços limpos, poderão levantar capital e se tornarão mais dispostas a emprestar. São intenções sólidas, mas, possivelmente, inconsistentes. Pagar um preço pelos títulos podres não vai ajudar o mercado a descobrir o preço real que os traders, que não têm os horizontes de longo prazo do governo, estão dispostos a pagar.

EXAME  - O que pode dar errado?

Rajan – As instituições com os ativos mais tóxicos são aquelas que tomaram as piores decisões - razão pela qual elas têm tantos ativos ilíquidos para vender. Por isso, provavelmente estarão mais próximas da inadimplência. Embora possam conseguir o maior alívio com a venda de ativos, elas provavelmente não se recuperarão e expandirão seus empréstimos rapidamente - nem deveriam, dado seu histórico. Ao contrário, as instituições financeiras relativamente saudáveis que provavelmente têm mais capacidade de expandir os empréstimos poderão não ser as que receberão boa parte do capital adicional do plano do Tesouro pois têm poucos ativos ilíquidos para vender.

EXAME – Quais são as principais mudanças na regulação que deveriam ser feitas para evitar crises similares no futuro?

Rajan - Problemas de governança em bancos e a excessiva alavancagem de curto prazo estiveram no seu centro da atual crise. Essas duas causas estão relacionadas. Qualquer tentativa de impedir uma repetição deveria reconhecer que é difícil resolver problemas de governança, e, conseqüentemente, desestimular bancos a se alavancarem. Intervenções regulatórias diretas, como exigir mais capital, poderiam simplesmente exacerbar as tentativas do setor privado de contorná-las, assim como esfriar a intermediação e o crescimento econômico. Ao mesmo tempo, é extremamente dispendioso para a sociedade tanto continuar salvando o sistema bancário, como deixar a economia ser arrastada para o torvelinho criado pelas crises bancárias. A despeito de seus melhores esforços, os reguladores não podem evitar problemas sistêmicos.

EXAME – Não tem solução, então?

Rajan – Os reguladores devem se concentrar em minimizar os custos das crises para a sociedade sem afundar a intermediação financeira no processo. A minha proposta é um seguro de capital, que garanta que o setor privado assuma a conta e reduza as conseqüências adversas de uma crise. Apesar de haver esboçado os traços gerais de como o esquema de seguro de capital poderia funcionar, existe inquestionavelmente muito mais trabalho a ser feito para ele ser implementado. Espero que outros acadêmicos, autoridades políticas e profissionais encarem esse desafio.


Fonte: Portal Exame


Até, Marcos.

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Eric Hobsbawm opina sobre a crise econômica mundial

21 de outubro, 2008 - 13h50 GMT (11h50 Brasília)

Crise expõe perigo de fortalecimento da direita, diz Hobsbawm

O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita.

“A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita”, disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4.

O historiador marxista comparou o atual momento “ao dramático colapso da União Soviética” e ao fim de “uma era específica”.

“Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente.”

Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?

Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: O capitalismo em convulsão. Há muito tempo não lia um título como esse no FT.

Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.

Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização - que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.

E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek.

Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.

Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora.

E em relação ao Estado como redistribuidor? O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico...

Acho que continuará sendo pragmático. O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.

No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia nos anos 90, e na Argentina em 2000: todos sabiam que estas coisas poderia levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.

Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de “nunca mais” aos riscos dos anos 30.

O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?

Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.

Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.

A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.

O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela direita em 1989?

Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.

Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.

Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.

O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?

Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises”.

Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.

O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?

Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).

Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.

O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.

Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.

Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média.

Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.

E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.


Fonte: BBCBrasil.com


Até, Marcos.

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