sábado, 30 de agosto de 2008

Mais um blog amigo

Caros companheiros de minervamutante,
venho por meio desta divulgar o blog de meu amigo Marcelo Guimarães, amante de música e um bon vivan dos circuitos suburbanos de cultura. O seu blog, ainda aquecendo, está no ar e prometendo. Acesse: suburbiando.blogspot.com e confira!

Até, Marcos.

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Indicação de blog de música

Vale a pena uma visita no blog umquetenha. Neste blog há um grande número de artistas nacionais e de álbuns raros, os quais não foram remasterizados ou encontram-se esquecidos no fundo de gavetas de sebos. Acesse: umquetenha.blogspot.com e baixe o cd que quiser mas desde que seja um que tenha...

Até, Marcos.

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Prêmio Territórios Quilombolas 2008

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Territórios Quilombolas 2008. Nesta edição, serão selecionados os melhores trabalhos em duas categorias: ensaio inédito, e experiências e memórias. Na primeira, podem concorrer pesquisadores/as nas modalidades graduação, mestrado e doutorado, além de técnicos/as que atuam junto a comunidades quilombolas em atividades de assessoria, consultoria e extensão. Já experiências e memórias é a categoria destinada a integrantes de comunidades que se auto-identificam quilombolas.

Os ensaios e as experiências devem abordar pelo menos um dos seguintes temas: regularização fundiária; movimentos sociais; gênero; produção, mercado e geração de renda; saúde e segurança alimentar e nutricional; etnodesenvolvimento; história e memória; organização social; relações étnico-raciais; religiosidade; meio ambiente; educação; comunicação e mídia; aspectos geracionais; e aspectos jurídicos.

A divulgação dos trabalhos vencedores e a entrega dos prêmios ocorrerão até março de 2009. Serão premiados até 15 trabalhos, sendo dez ensaios inéditos e cinco redações de experiências e memórias. Os ganhadores receberão R$ 3 mil em dinheiro, além de certificado e kit de publicações do NEAD, Ppigre/MDA e das instituições envolvidas. Além disso, os textos premiados serão reunidos em uma coletânea, em formato de publicação impressa, cujo lançamento é previsto para maio de 2009.

As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de janeiro de 2009. A ficha de inscrição e o edital estão disponíveis em www.mda.gov.br; www.nead.org.br; www.abant.org.br; www.anpocs.org.br; www.mulheresnegras.org.

A iniciativa é do Ministério do Desenvolvimento Agrário [MDA], por meio do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia [Ppigre] e do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural [NEAD], em parceria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária [Incra], da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial [Seppir], da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros [ABPN], da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais [Anpocs], e da Associação Brasileira de Antropologia [ABA].

Devo agradecer à Victor Barone pela informação. Até, Marcos.

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Uma singela homenagem (ou não) aos subúrbios do RJ

ode ao subúrbio

da origem da palavra subúrbio
temos a sub urbe romana
aquela área que fica sob o controle da urbe
mas o que é a urbe?
senão, o centro da vida urbana na antiguidade
e o centro de negócios de hoje

a sub urbe existe então em relação ao centro
é a cidade além do centro
é aquilo que está na periferia do centro

tal sentido é representativo do subúrbio carioca
pois estamos na periferia do centro
já que o povo dessa área cresceu ao longo das linhas férreas
se nutriu das viagens feitas tropegamente ao centro
se queixou dos problemas e do esquecimento

mas em nosso caso o subúrbio não é apenas extensão
é também distinção
subúrbio é uma conceituação
morar no subúrbio é morar longe

é o lugar que não é lugar
daqueles que não vivem por lá
pois é estar onde a cidade não está
onde a cada estação fica-se mais distante da civilização
é a morada de gente de brio e valor
que se aperta sem reclamar

ora, se fosse só extensão
não seria a Barra, outro subúrbio?
ou a Lagoa, um subúrbio de então?

creio ser o subúrbio uma distorção
o lugar nascido para se tornar reação
mas tão acanhado em suas pretensões
que só tem em sua vida pulsante a ilusão
de ser algo que desde seu nascimento foi sua negação

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terça-feira, 1 de julho de 2008

Resultado da Enquete

Caros visitantes e colaboradores do MinervaMutante, nos últimos meses realizamos uma enquete sobre o interesse de vocês no blog MinervaMutante, a qual resultou nos seguintes números:

70% dos visitantes buscam e-books;
41% buscam trabalhos de terceiros;
37% buscam discussões e questões;
20% buscam notícias sobre eventos;

Gostaríamos de agradecer a participação na votação. Estaremos em breve retornando com as postagens e buscando proporcionar ainda mais meios de divulgação dos trabalhos. Propomos que agora, você, caro visitante, dê sua dica. O que você gostaria de ver disponibilizado no blog?
Sua participação é fundamental para melhorarmos o nosso trabalho,
Até!

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Conhecendo Grandes Pensadores - Michel Foucault

Michel Foucault nasceu em 15 de outubro de 1926 em Poitiers e faleceu em Paris a 26 de junho de 1984. Licenciado em filosofia pela Sorbone em 1948, em 1949 licenciou-se em psicologia. No ano de 1952 cursou o Instituto de Psychologie e obteve diploma de Psicologia Patológica. No mesmo ano tornou-se assistente na Universidade de Lille. Foucault lecionou psicologia e filosofia em diversas universidades, em países como: Alemanha, Suécia, Tunísia, EUA, etc. Trabalhou durante muito tempo como psicólogo em hospitais psiquiátricos e prisões. Escreveu para diversos jornais. Viajou o mundo apresentando conferências. (Fonte: www.pucsp.br/~filopuc/verbete/foucault.htm)


Suas Principais obras:
"Doença mental e Psicologia" (1954); "História da Loucura" (1961); "Raymond Roussel" ( 1963 ); "O nascimento da clínica" (1963 ); "As palavras e as coisas"(1966); "A Arqueologia do saber" (1969); "A ordem do discurso" (1970 - aula inaugural do College de France); "Vigiar e Punir" (1977); "A vontade de saber - História da sexualidade I" (1976); "O uso dos prazeres - História da sexualidade II" (1984); "O cuidado de si - História da sexualidade III" (1984).

Além dos dois e-books que disponibilizamos aqui:
Isto não é um cachimbo.
Baixar Conhecimento

Microfísica do poder.
Baixar Conhecimento

Para saber mais:
Espaço Michel Foucault

Boa leitura.

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Vaga para Professor de Geografia - UERJ

CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR DE GEOGRAFIA/ UERJ 2008
UNIDADE: Instituto de Geografia (UERJ – Campus Maracanã)
DEPARTAMENTO: Geografia Física
ÁREA: Geomorfologia e Pedologia
CARGA HORÁRIA: 40 horas
Nº DE VAGAS: 01 (uma)
CATEGORIA: Professor Adjunto
PERÍODO DE INSCRIÇÃO: de 16/06/2008 a 11/07/2008, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18 horas
LOCAL DE INSCRIÇÃO: SECRETARIA DO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA FÍSICA Rua São Francisco Xavier, 524 – Bloco B - 4º andar – sala 4001 Maracanã - Rio de Janeiro - RJ - CEP.20550-013
TELEFONE: (21) 2587-7682
EDITAL NA PÁGINA: http://www.srh.uerj.br/docente/saida.asp

Divulgue...

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Eventos em Meio Ambiente

Seminário desafios sócio-ambientais que enfrentamos no Brasil hoje, depois da saída de Marina Silva do MMA - sala de reuniões do CESTEH - Fiocruz
Dia 24/6 - 3ª. feira - 10 as 12 h

Oficina sobre siderurgia da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Dias 25 e 26/06, na FASE (Rua das Palmeiras, 90, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ)

Seminário "Polo Siderúrgico de Sepetiba: Desenvolvimento para que? para quem?"
Local: Igreja do Desterro - Campo Grande
Dias 27 e 28 de julho de 2008

No mês do Meio Ambiente: "RECICLANDO FUTUROS" EM SANTA TERESA
A ONG ambientalista Integração Cena Urbana convida para a inauguração de sua
"Galeria Nômade de Arte Reciclada e Consciência Ambiental".
Acontecerá no Largo do Guimarães em Santa Teresa.
Dias 28 e 29 de junho das 14:00 às 18:00hs.

Trata-se de uma Intervenção Urbana cuja intenção é mobilizar a sociedade
carioca para questões fundamentais ligadas à prática dos 3 R'S ( Reduzir,
Reutilizar, Reciclar) em suas ações cotidianas.
Programação do final de Semana com eventos ao Ar Livre.

"CONFLITOS SÓCIOAMBIENTAIS NO RJ & INTERFACE PESQUISA, PARTICIPAÇÃO E ATUAÇÃO POLÍTICA: CASO DAS COMUNIDADES DE MARAMBAIA, ANDORINHAS E ZACARIAS"
Local: Auditório Milton Santos (Térreo) – Instituto de Geociências - Campus da Praia Vermelha – UFF Data: 26/06/2008 (quinta-feira) - Hora: 18h

Agradecimentos à Marcelo, Ruy e Vanessa.

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sábado, 17 de maio de 2008

Sessão Minerva: A História do Brasil - Colônia

Um filme editado em três partes que conta a história do Brasil colonial através da narrativa do historiador brasileiro Boris Fausto. Uma indicação para os professores de história, geografia e sociologia na forma de vídeos didáticos e sintéticos sobre a história do Brasil. A série de vídeos conta ainda com a série Brasil Império, a qual encontra-se também disponível no Youtube.com.

Aproveite a sessão! Recomende aos seus amigos! Forte abraço.

Parte Um


Parte Dois


Parte Três

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UM OLHAR GEOGRÁFICO SOBRE A OBRA LITERÁRIA VIDAS SECAS

Título: Um Olhar Geográfico Sobre a Obra Literária Vidas Secas.
Autoria de Gutemberg Louzeiro Pontes

Resumo:

O presente trabalho tem como foco principal analisar o espaço sertanejo. Tal análise leva em consideração as transformações geohistóricas ocorridas no sertão ao longo de sua ocupação e formação. Além disso, o trabalho estará sendo embasado na obra literária, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, criando-se uma relação interdisciplinar entre a Geografia e a Literatura. Para isso, utilizaremos o romance que será posto em confronto para a análise das relações entre a ficção e a realidade.
A visão e noção que se tem do sertão, recorte espacial a ser analisado neste trabalho, é de total miséria, desprezo e descaso. Porém este recorte tem lá sua importância, seja no sentido de preservar a identidade do sertanejo, os desmandos das oligarquias coronelistas e caudilhistas que o povoaram e povoam.
Faremos uma análise geofísica e geohistórica, como o desbravamento nos primórdios de sua história, quando da sua ocupação por vaqueiros e sertanejos, até algumas questões que fundam da idéia de sertão, como o movimento do cangaço, coronelismo e messianismo.

Como citar este texto:
PONTES, Gutemberg Louzeiro. Um Olhar Geográfico Sobre a Obra Literária Vidas Secas. Rio de Janeiro: FIC-RJ, 2007. Mimeo.

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segunda-feira, 28 de abril de 2008

ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA URBANA NO MUNICÍPIO DE EMBU/SP

Título: ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA URBANA NO MUNICÍPIO DE EMBU/SP

Autora: Rúbia Gomes Morato

RESUMO

Este trabalho propõe uma metodologia de avaliação da qualidade de vida urbana a partir de dados censitários (dos Resultados do Universo do IBGE) e de sensoriamento remoto orbital (imagem de satélite Landsat 7 ETM+). São consideradas as dimensões qualidade ambiental, nível sócio-econômico e educação. Para a integração, espacialização e processamento dos dados, utiliza-se técnicas de Geoprocessamento, com o uso de um Sistema de Informação Geográfica e de Processamento Digital de Imagens. A análise dos resultados apóia-se na análise dos dados por meio de medidas estatísticas e de sua distribuição espacial.


Como Citar este trabalho:

Morato, Rúbia Gomes (2004). Análise da qualidade de vida urbana no município de Embu/SP. São Paulo: DGEO/USP. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia Física, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.


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sábado, 12 de abril de 2008

Jogos Olímpicos, Esporte, Política e Novas Formas de Protestos: sobre os jogos olímpicos do Tibete/2008.

Por Victor Andrade de Melo - UFRJ

De 4 em 4 anos (às vezes de 2 em 2, quando há Jogos Pan-Americanos na cidade ou devido às Copas do Mundo de Futebol), voltamos a ouvir a mesma história. Supostamente o mundo deveria parar seus conflitos para que, durante os 15 dias de um festival esportivo, celebrasse a fraternidade e a solidariedade entre os povos (sejamos justos que pouco se fala em liberdade nessas ocasiões).

Tirando aqueles que ainda crêem em figuras fantásticas (como o Papai Noel, a Fada do Dente, o Coelho da Páscoa ou mesmo a terrível Loira do Banheiro, que tanto assombra as crianças em idade escolar), sabemos que esse discurso está fundamentalmente atrelado a uma enorme estratégia para potencializar a venda e o consumo de produtos relacionados a uma das mais impressionantes e fascinantes manifestações culturais da modernidade (o esporte), naquele que é um de seus principais palcos (os grandes eventos internacionais, como é o caso dos Jogos Olímpicos). Há muitas coisas envolvidas nessa somente aparente ingênua competição esportiva mundial.

Política e esporte sempre andaram juntos, como não poderia deixar de ser, já que se trata de uma prática social como outra qualquer. Isso não é de hoje. Poucos não foram, por exemplo, os regimes totalitários que à prática esportiva se ligaram como forma estratégica de se acercar da população, de demonstrar o seu poder, de propagar determinados valores, cujo exemplo mais conhecido são os Jogos Olímpicos de Berlim/1936, também chamados de Jogos de Hitler ou Jogos do Nazismo.

Também ao redor do esporte se organizaram iniciativas de resistência. Os bascos e catalães encararam os espaços esportivos como fóruns possíveis de reunião no período de Franco. As mulheres iranianas hoje lutam pelo direito de assistir os jogos de futebol nos Estádios. Nos Jogos Olímpicos do México (1968), Tommie Smith e John Carlos, medalhistas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, no pódio levantaram seus braços, de punhos cerrados e com as mãos cobertas por luvas negras, reproduzindo a saudação dos Panteras Negras. Por tal atitude, suas medalhas foram caçadas e ambos expulsos da delegação norte-americana.

Há ainda os episódios violentos. Nos Jogos Olímpicos de 1972 (Munique), atletas israelenses foram mortos depois de tomados como reféns pelo grupo palestino Setembro Negro. Em Atlanta (Jogos de 1996), uma bomba explodiu no Olympic Centennial Park, causando medo e matando duas pessoas. Isso sem falar nos boicotes de 1976 (Montreal), de países africanos em função do Apartheid/África do Sul; de 1980 (Moscou), de países aliados aos Estados Unidos, supostamente em função da invasão soviética no Afeganistão; e de 1984 (Los Angeles), o troco do bloco soviético, supostamente pela falta de segurança para os atletas.

Nos últimos dias vemos mais uma vez a forte ligação entre esporte e política, algo que tanto negam os dirigentes esportivos mundiais, negociantes, em diversos graus e com distintos interesses, do fascínio que ocasiona a prática esportiva. Seguindo-se aos protestos de monges tibetanos, que foram massacrados pela polícia chinesa ao reivindicarem o direito de professar sua religião e a liberdade de seu país (invadido pela China desde 1951), por todo o mundo surgiram manifestações, cujos fatos mais significativos ocorreram por ocasião do acendimento da Tocha Olímpica, realizada em Atenas, e mais recentemente com o impedimento do bom andamento do desfile da chama pelas ruas de Londres e Paris (onde inclusive foi apagada e teve que seguir o trajeto de ônibus). Nos Estados Unidos e na Argentina protestos já estão preparados, aumentando a tensão entre o Comitê Olímpico Internacional (que quer suspender a cerimônia) e os chineses (que encaram a suspensão como uma derrota).

O que diferencia esses protestos dos anteriores? A própria ordem mundial e a estratégia e alcance da reivindicação, que faz uso dos novos mecanismos telemáticos (telefonia, computadores, a grande rede mundial) para conclamar e envolver gente de todo mundo. Estamos todos em rede, eu, você, as empresas e corporações, as organizações de contestação que se reúnem no Fórum Mundial Social e contra as reuniões da OMC. Uma luta quase já não é mais somente de um grupo pequeno, mas repercute por todo o planeta, dando visibilidade enorme ao que outrora poderia ser apenas um problema interno (como a China insiste em afirmar).

Do ponto de vista simbólico, esses jogos já são o mico que ficou na mão da China. Por mais que a organização dos Jogos seja fantástica (e o será), por mais que os meios de comunicação exaltem as realizações e esqueçam os protestos, como provavelmente fará e majoritariamente o fez, por exemplo, por ocasião dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (que hoje poderiam ser chamados de Jogos Pré-Dengue?), essa versão da competição não passará para a história como aquela que provou a grandeza de um país, como esperavam os chineses, mas sim como a que confirmou a tese de que se trata de um regime desumano e violento. Os Jogos da China serão os Jogos do Tibete, país que, alias, sequer era conhecido por grande parte da população antes dos protestos.

Esse prognóstico vai se tornar mais concreto se alguns chefes de estado confirmarem que não comparecerão a abertura, postura já anunciada pela Chanceler Alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Há ainda pressões sobre o primeiro-ministro inglês e sobre o presidente norte-americano para que façam o mesmo. O Parlamento Europeu já discutiu o boicote. Menos provável é que países e atletas venham a boicotar os Jogos, até mesmo porque grande parte dos Comitês Nacionais tem contratos comerciais assinados com patrocinadores diversos.

Do ponto de vista do negócio, o que realmente interessa aos dirigentes da chamada “família olímpica”, as coisas seguirão em frente, ainda que as empresas patrocinadoras expressem sua preocupação, não pelo Tibete, é obvio, mas sim por ter sua imagem ligada à tamanha polêmica. Marcas de refrigerante, de celular, de informática, de produtos esportivos, redes de televisão, entre muitos outros, devem se esforçar mais ainda para convencer a todos de que se trata do grande espetáculo de união internacional (tirando o Tibete; que país impertinente, não?).

Episódios como esses dos Jogos de Pequim/Tibete não só explicitam a relação esporte-política como também demonstram o quanto é equivocado analisar a prática esportiva a partir de um modelo único e linear (a velha chave esporte=alienação). A complexidade desse fenômeno nos conclama a análises mais aprofundadas. O esporte em si não tem uma essência boa ou ruim. Os usos que dele se faz é que vai determinar, sempre de forma matizada e relativizada, sua potencialidade enquanto ferramenta de possível benefício (ou não) para os povos. O esporte é humano (demasiadamente humano) e deve ser historicamente entendido.

Como seres humanos, vamos sim assistir os Jogos de Pequim/Tibete, e provavelmente muitos de nós vamos torcer pelas seleções/atletas nacionais e/ou ficar encantados com a magia artística das realizações atléticas. Mas convém não esquecer o Tibete. Convém não esquecer que aquilo que nos encanta nenhuma relação linear tem com solidariedade e/ou fraternidade. É um negocio como outro qualquer, que inclusive pode ou não contribuir para a melhoria das condições de vida dos cidadãos. Os Jogos de 1992 foram, por exemplo, fundamentais para Barcelona. Quanto aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro... Alguém pode me emprestar o repelente?

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